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20 de novembro — Memória, Luta e Caminho

 

Lydia Lucia 


Hoje não é apenas uma data marcada no calendário.

É uma convocação.

É memória viva que respira em cada passo que damos.

É chão que arde e sustenta.

A história do povo negro no Brasil é feita de resistência contínua — desde os quilombos que desafiaram a lógica da escravidão até cada corpo que hoje ocupa espaços antes negados. E eu falo disso também a partir da minha própria pele - as Lúcias -, da minha descendência africana  e da força que recebo da minha ancestralidade. Sou filha da fé de matriz africana e sou cuidada por minha mãe Oxum, que me reveste de doçura, me guia com sabedoria e me enche de bondade e crença em dias melhores. Carrego comigo memórias que não vivi, mas que me atravessam; vozes antigas que sussurram coragem; caminhos abertos por mãos que lutaram muito antes de eu existir. A minha existência é continuidade dessa história — e é por ela que sigo firme.

 

Mas, apesar das conquistas, o caminho ainda é longo.

O racismo não desapareceu — só se sofisticou.

Ele está nas oportunidades que não chegam, nas portas que demoram a abrir, nas violências que insistem em nos atingir, na desigualdade que muitos insistem em chamar de “normal”.

A liberdade que celebramos é real, mas ainda não é completa.

E é por isso que o 20 de novembro importa tanto.

Porque lembrar a luta é honrar quem veio antes, fortalecer quem está aqui agora e abrir caminho para quem virá depois.

É reafirmar que nossa história não começou na escravidão — ela começou na África, em civilizações de grandeza, espiritualidade e conhecimento, e segue viva em cada gesto nosso.

 

Que a gente nunca perca a indignação.

Que a gente mantenha acesa a coragem.

Que a gente continue construindo uma sociedade onde a igualdade não seja promessa — seja prática, seja lei, seja vida.

 

Hoje é dia de memória, orgulho e compromisso.

E eu sigo acreditando: enquanto houver voz, movimento, fé e ancestralidade, nada silencia um povo que sabe de onde veio e sabe exatamente onde quer chegar.