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ALERTA — Porque o samba pede respeito

Samba - Di Cavalcanti

Hoje, enquanto o Brasil inteiro se prepara pra celebrar o ritmo que pulsa no nosso peito, vale fazer uma pausa e olhar pro cenário com sinceridade: quantas pessoas que não vivem o samba, que não carregam essa cultura no corpo, no terreiro, na rua, na comunidade… estão vivendo do samba?

 

Gente que não honra a raiz, não respeita a origem, não entende o sentido. Gente que transforma tradição em produto, arte em mercadoria, memória em vitrine.

E enquanto isso, quem guarda o samba com amor, quem nasceu nesse chão, quem sustenta essa chama — muitas vezes continua na luta, invisibilizado.

 

Isso tem nome: apropriação cultural exploratória.

E quando se apropriam da nossa cultura sem reconhecer quem construiu, sem devolver nada pra base, sem dialogar com quem faz — aí a paixão vira lucro alheio. A alegria vira negócio. O samba vira cenário.

 

Só que samba não é cenário.

Samba é território.

É história, é herança negra, é resistência viva.

É a maior paixão cultural do brasileiro — e paixão a gente não deixa na mão de qualquer um.

 

Que hoje seja dia de festa, sim.

Mas que seja também dia de lembrar: o samba tem dono coletivo — o povo que o criou, o povo que o vive, o povo que o mantém vivo.

 

e como dizia o meu poeta

“ Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração

Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não”           

Música: Samba da Benção  -  Compositores: Baden Powell, Marcelo Peixoto e Vinicius de Moraes.


Respeitar o samba é respeitar quem samba.

Simples assim.


O quadro “Samba” criando por Di Cavalcanti em 1925, em estilo modernista e retrata um grupo de seis sambistas.