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| Imagem: secom |
Sou Lydia Lucia. Sempre transitei entre arte e gestão, mas foi o Carnaval que me ensinou que essas duas coisas não caminham separadas. Aprendi cedo que ideia boa não basta — ela precisa virar experiência real, organizada, entregue. O “eu” é responsabilidade. O “nós” é construção. E foi no Carnaval que entendi que ninguém faz nada sozinho.
Comecei
minha jornada com Fernando Leite Teixeira, na AGEESMA. Ali vi o Carnaval como
engrenagem viva, cheia de detalhes invisíveis para quem está só assistindo.
Depois, já como professora na Fundação Rede Amazônica, fui visgada pelo meu então aluno Dudson Carvalho e participei das conversas
que ajudaram a organizar o Grupo de Acesso Oficial - GAO. Foi quando entendi que formação e
estrutura também são formas de fortalecer a avenida.
Com a criação da LIESA-AM, gestão Luis Pacheco, fui convidada para assumir a comunicação da liga. Era mais do que divulgar desfile — era alinhar discurso, identidade e propósito entre escolas diferentes, mas parte do mesmo sistema. Na CEESMA/LIESA-AM, gestão de Roberto Simonetti, aprofundei esse caminho e ajudei a consolidar o posicionamento “Carnaval na Floresta”. Organizar fluxos, integrar assessorias, capacitar equipes e repetir mensagem até virar identidade. Branding não nasce do improviso.
Hoje, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas teve papel importante nessa consolidação. Porque marca territorial não se constrói sozinha — ela precisa de alinhamento institucional e essa assessoria me representando muiiiito.
Mas
aprendi algo essencial: conceito bonito não se sustenta sem continuidade.
Comunicação precisa de método, calendário, presença digital organizada, dados.
Se não, vira esforço pontual. E Carnaval não é pontual — ele movimenta gente,
economia, autoestima e memória.
Essa
maturidade aparece na avenida. Quando vejo alegorias bem acabadas, fantasias
detalhadas, evolução coesa, eu não vejo apenas espetáculo. Vejo planejamento,
cadeia produtiva funcionando, recurso aplicado com responsabilidade. A
comunidade também vê. E quando a comunidade enxerga qualidade, ela confia e mais uma vez a comunicação de todas as escolas de samba de Manaus estão de parabéns, nunca é facil .
A volta do público é prova disso. Arquibancada preenchida não é só número — é pertencimento. As pessoas querem se ver ali. Querem desfilar, querem aplaudir seus familiares, querem fazer parte. O Carnaval resiste porque é participação coletiva, não vitrine distante.
E,
no fim, o resultado nasce na passarela. Quem está desfilando não enxerga o
desenho completo. O julgamento considera o todo. Respeitar o veredito é
entender que Carnaval é paixão, sim — mas também é técnica, critério e
responsabilidade.
Tem
uma coisa que aprendi na prática — Carnaval não é sobre quem brilha sozinho. É
sobre quem sustenta o brilho junto.
E
por isso encerro esse ciclo com alegria verdadeira.
Parabenizo a Escola de Samba A Grande Família, campeã do Grupo Especial.
A Escola de Samba Dragões do Império, campeã do Grupo de Acesso A.
Imagem: secom
E a Escola de Samba Primos da Ilha, campeã do Grupo de Acesso B
O título é individual no resultado, mas é profundamente coletivo na construção.
Naquele
momento da apuração, o nome que ecoa representa muito mais que um pavilhão.
Representa cada costureira que virou noite, cada ferreiro que soldou sonho,
cada compositor que insistiu na melodia, cada componente que enfrentou chuva,
calor, ensaio longo, incerteza e ainda assim seguiu.
Campeonato
é consequência.
O que se constrói antes — isso é legado.
Todos
que estavam ali dividiram as mesmas lutas, enfrentaram as mesmas tensões e
atravessaram a mesma batalha. A vitória sobe ao palco com um nome, mas ela foi
sustentada por muitas mãos.
E
é isso que me move.
Porque,
no fim, mais do que disputar, o Carnaval nos ensina a construir juntos — com
método, com técnica, com identidade e com pertencimento.
Que
esses títulos sejam celebrados.
Mas que, acima de tudo, sejam compreendidos como fruto de trabalho coletivo,
organizado e comprometido com a nossa cultura.
Seguimos…



