Desta vez o a ligação que
me leva ao blog não veio Charlene Duvallier, mas de André Siqueira – meu amigo
Dedé.
- Oi amor, demorei um
tempo até chegar a você, mas o Paulo está internado, em estado muito grave na
UTI do 28 de agosto,
- Minha reação foi de
choque. Com um esforço enorme para processar a informação parti para a negação.
Isso é golpe! Vou esperar o próximo passo
em silencio. Demorei segundos (que pareciam horas quilométricas) ao ouvir a voz
tremula de André, entendi que tudo era verdade.
Minha memória me levou
para o nosso último encontro… estava perdida no bairro Alvorada (como sempre) e
liguei para Paulinho dizendo estar em uma padaria próxima da casa deles e
queria vê-los. Coincidência, os dois estavam a caminho da padaria e gargalhada
coletiva pelo encontro não programado. Paulo tirou onda … “Bi, para de arrumar
desculpas para caçar no bairro da gente.”
Paulinho me falou dos perrengues
de saúde desde o festival de Parintins e que ainda estava se recuperando por
causa da dificuldade de diagnostico diante dos sintomas variados que estava
sentido: dor no corpo, fraqueza nas pernas, dificuldade na fala e na
respiração. Claro que veio as fofocas, as tretas e as piadas com a vida dos
outros “amigos” ausentes na conversa.
Eu conheci Paulo em 1997. Naquele
ano estava MAG, e ele fazia parte da coordenação do Comando Galera do Garantido
em Manaus. A ironia ácida de Paulo, casou imediatamente com a minha... riamos à
toa, riamos de todos, inclusive de nós mesmos. Entretanto, a força de trabalho
de Paulo só era menor que o amor dele pelo Garantindo. Não tinha tempo ruim, chuva, falta de transporte,
falta de material para que o fizessem parar ... A Galera estaria presente onde fosse necessário.
Nossa AMIZADE progrediu,
ultrapassando os movimentos bovinos. Paulinho se transformou um companheiro
constante em minha vida pessoal, na minha rotina diária e na minha vida
espiritual. Nos víamos frequentemente… sempre com muita gargalhada, sempre com
um lanchinho que ele reclamava, colocava defeito para comer e isso demorava
horas, de agonia.
Ao lado de Paulinho,
estabeleci vínculos afetivos significativos; seu parceiro André, o meu designer
preferido, Regilene Rios (minha gay), a nossa cantora número 01, Paulão, meu
escudeiro fiel, Felipe Júnior, um menino que vi crescer com qualidade, Juan, o
calmo (só que não), Denison Bentes e tantos outros. Com
Paulinho no grupo, até mesmo nossas viagens a Parintins eram sempre um grande evento,
nada era calmo, silencioso ou normal.
Paulinho, ainda é difícil
acreditar que o Paulinho se foi. Fica um silêncio estranho nos lugares onde ele
costumava estar — aquele jeito leve de falar, o riso fácil, a presença que
juntava gente.
Estou em outra cidade –
Taperoá _PB, mas quando Dedé pediu meu abraço, meu coração congelou... liguei
imediatamente para Séfora e disse:
Recebemos retorno imediato de:
KÁTIA BRITO
LUIZ PEREIRA
FÁBIO CARDOSO
BRUNA ABECASSIS
MESSIAS ALBUQUERQUE
DÉBORA ALBUQUERQUE
KAREN PONTES
DANIEL SILVA
WELCIANE SILVEIRA
CLAUDIA SANTOS
ANA LÚCIA HOLANDA
MARCELO CAVALCANTE
ALINE NEVES
CLEISE MARQUES
ALBIA NEVES
DIOGO SANTANA
FELIPE JÚNIOR
DAYVID NORONHA
SÉFORA MOREIRA
Amigos e amigas que
nesse momento da despedida perdoem os pecados, todas as dívidas, as mágoas e se
unam em oração para que o caminho do Paulinho seja iluminado no caminho da
Paz. Agradecendo de coração a todos que se uniram nesse momento tão duro.
Cada contribuição, cada mensagem, cada gesto ajudou a dar ao Paulinho uma
despedida digna, cercada de carinho, e ao André Siqueira um acalanto em ver
o quanto o seu companheiro era querido.
A dor está sendo
processada, meu espaço está cada vez menor e mais vazio. Não esqueça, você que
leu até aqui esse texto saiba que EU TE AMO!
